Tu te abeiraste da praia…

“Tu te abeiraste da praia, não buscastes nem sábios, nem ricos, somente queres que eu te siga…”

Foi com a música da barca que eu cheguei nas terras do Estado do Espírito Santo. Já no início pude sentir o calor do coração de todo povo de Deus que me acolheu, em nome de todos os outros que não puderam vir, naquele dia, inesquecível, 10 de julho de 2011. Cada coração em festa pela minha chegada, manifestada nos aplausos, na linda liturgia de minha posse, nas músicas cantadas, fez com que eu me sentisse em casa, entre irmãos, mesmo tendo como único Pai, o Deus que me enviou como o primeiro servidor desta, já amada por mim, Diocese de Cachoeiro de Itapemirim.

Louvo ao nosso Pai do Céu pela segurança que senti, a partir da acolhida de todos e o meu louvor se prolonga na minha disponibilidade ao serviço que me foi confiado. Coloco-me como companheiro de caminhada de todos. Que em todos os lares desta  Diocese possa ser sentida a minha presença como Bispo amigo, companheiro e irmão de caminhada. Quero, com os padres, preservar e empreender sempre uma sintonia e comunhão no nosso presbitério, acolhendo e possibilitando a todos a dignidade que lhes é de vida.

Vivemos num tempo de muitos desafios. A evangelização tem sido cada vez mais ameaçada por tantas tendências, contrárias à construção da vida. Os relacionamentos deixaram de ser gratuitos e perderam o sentido. Na atualidade, o que vemos são relações permeadas de interesses e a tendência mercadológica, que é o lucro e a posse, tem sido muito frequentes, até mesmo quando se fala de Deus. A busca do ser humano tem se reduzido, muitas vezes, ao espetáculo e ao aniquilamento das consciências e, consequentemente, as pessoas não estão sendo mais protagonistas de suas próprias histórias, mas se deixando levar por ideologias que lhes tiram a liberdade de homens e mulheres, filhos e filhas de Deus.

No início do meu episcopado nestas terras do Espírito Santo, na Igreja particular de Cachoeiro de Itapemirim, partilho a todos que o meu peito e coração estão abertos para iniciar uma caminhada que seja fonte de água limpa para os sedentos; que seja um bom prato de comida para os famintos; que seja o alento e conforto, para quem padece sofrimentos corporais e, ou espirituais; que seja luz entre as trevas da violência, do desentendimento e da ruptura com o projeto de Deus que a vida; que seja motivo do diálogo entre os casais, entre os pais e filhos. O que rogo sempre a Deus é que minha presença seja uma presença que suaviza a caminhada; restaure o que, pelas vicissitudes da vida fora quebrado; acalante o desvalido, fortaleça o fraco; restaure a esperança dos que sofrem injustiças, e faça com que todos se sintam acolhidos e amados pelo Deus da vida, por meio de mim.

Enfim, rogo a Deus é que nosso relacionamento seja sempre permeado da transparência, objetividade e gratuidade, para que cada um, de acordo com a sua capacidade, seja sujeito e construtor da sua realidade, com os pés no chão e o coração no céu.

Neste momento sinto que são muitas demandas… “O meu cansaço, que outros descansem, porque, Senhor, Tu me olhastes nos olhos, a sorrir pronunciastes meu nome [...] junto a Ti, buscarei, sempre, outros mares.”

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